Alimentos recusados, falta de pessoal e sobrecarga: merendeiras relatam problemas em escolas de PG
Merendeiras relataram problemas com alimentos, falta de capacitação de terceirizadas e sobrecarga de trabalho durante depoimentos à CPI das Terceirizações em Ponta Grossa.
Merendeiras da rede municipal de ensino de Ponta Grossa relataram problemas na qualidade dos alimentos entregues às escolas, falta de capacitação de profissionais terceirizados e sobrecarga de trabalho durante depoimentos à CPI das Terceirizações, na Câmara Municipal, nesta quinta-feira (22). As servidoras Andressa Michele Pieckhardt e Tânia Aparecida Lazzaretti também apontaram dificuldades na fiscalização dos serviços, no armazenamento de produtos e na organização das equipes após a implantação da terceirização.
Merendeiras relatam mudanças na rotina das cozinhas
A CPI das Terceirizações da Câmara Municipal de Ponta Grossa ouviu, nessa quinta-feira (22), as merendeiras Andressa Michele Pieckhardt e Tânia Aparecida Lazzaretti. Os depoimentos abordaram as condições de trabalho nas cozinhas escolares e possíveis falhas na execução dos contratos de terceirização dos serviços de alimentação e limpeza.
Segundo Tânia, a terceirização modificou a rotina das servidoras concursadas, que passaram a orientar profissionais contratadas pelas empresas responsáveis pelos serviços. Ela relatou situações em que as trabalhadoras terceirizadas chegam às unidades sem conhecimentos básicos para realizar as atividades.
Andressa apontou dificuldades relacionadas à falta de profissionais e à substituição frequente das funcionárias terceirizadas. De acordo com o relato, houve períodos em que precisou trabalhar sozinha por vários dias, com auxílio eventual de profissionais que desempenham outras funções dentro da escola.
As depoentes também foram questionadas sobre a organização das equipes, o controle de horários e a fiscalização das atividades. Conforme os relatos apresentados à comissão, parte dessas responsabilidades continua sob a atuação das servidoras municipais e das direções das escolas.
Servidoras relatam problemas na qualidade dos alimentos
As condições dos produtos entregues às escolas também foram abordadas durante as oitivas. Tânia relatou situações envolvendo alimentos considerados inadequados para consumo, divergências entre os produtos recebidos e as informações das notas de entrega, além de possíveis problemas no transporte de carnes e outros itens que precisam de refrigeração.
Entre os exemplos citados pela merendeira está o recebimento de mandioca com embalagens estufadas. Segundo ela, o produto foi recusado e a situação foi comunicada à Secretaria Municipal de Educação (SME).
Tânia também relatou problemas com a qualidade das carnes, incluindo entregas que, segundo seu depoimento, teriam ocorrido sem condições adequadas de temperatura.
As servidoras afirmaram que registram as irregularidades por meio de fotografias e comunicam os problemas à Secretaria Municipal de Educação. Andressa manifestou preocupação com a possibilidade de produtos recusados em uma escola serem encaminhados e aceitos em outras unidades.
A comissão também questionou às depoentes sobre o acompanhamento das nutricionistas, o controle dos estoques e a organização das entregas. Os relatos apontaram dificuldades na supervisão das atividades e mudanças na rotina de fiscalização após a implantação dos serviços terceirizados.
Sobrecarga de trabalho e desperdício de alimentos
Outro tema abordado durante os depoimentos foi o acúmulo de funções das merendeiras concursadas. Segundo Tânia, a falta de profissionais para determinadas atividades tem levado as servidoras a auxiliar também na limpeza das unidades escolares.
As depoentes ainda relataram situações relacionadas ao desperdício de alimentos. Tânia afirmou que, após as mudanças na gestão da alimentação escolar, parte da comida preparada e não consumida passou a ser descartada.
Andressa, por sua vez, relatou que procura aproveitar frutas excedentes como complemento da alimentação no dia seguinte ou disponibilizá-las aos alunos, com o objetivo de evitar o descarte.
Os depoimentos acrescentam ao trabalho da CPI questões relacionadas não apenas à execução dos contratos, mas também à rotina das cozinhas, ao aproveitamento dos alimentos e à distribuição das tarefas entre servidoras municipais e profissionais terceirizadas.
CPI investiga contratos de alimentação e limpeza
Instaurada por meio do Requerimento nº 613/2026, a CPI das Terceirizações tem como objetivo investigar os processos licitatórios, os contratos e a execução e fiscalização dos serviços terceirizados de alimentação, limpeza e conservação das escolas municipais de Ponta Grossa.
A comissão é presidida pela vereadora Enfermeira Marisleidy (Democrata), tem como relator o vereador Ede Pimentel (PDT) e conta com os vereadores Geraldo Stocco (PV), Léo Farmacêutico (União Brasil) e Florenal (Podemos) como membros.
Entre os pontos investigados estão a correspondência entre o número de profissionais disponibilizados e o previsto nos contratos, possíveis irregularidades na execução dos serviços, falhas na fiscalização e eventual transferência de responsabilidades para servidoras municipais.
Os relatos apresentados por Andressa e Tânia integram o material reunido pela comissão. As informações deverão ser analisadas em conjunto com outros depoimentos e documentos para apurar as condições de execução dos contratos e eventuais irregularidades.