Investimento de R$ 6 bilhões prevê construção de "bairro independente" em Ponta Grossa; saiba onde
Projeto de bairro planejado em Ponta Grossa prevê mais de R$ 6 bilhões em investimentos privados, com moradias, comércio, empregos, serviços, lazer e infraestrutura integrada.
Um projeto com previsão de investimentos superiores a R$ 6 bilhões prevê a construção de um “bairro independente” na região de acesso ao distrito de Guaragi, em Ponta Grossa. A proposta é reunir moradias, comércio, serviços, áreas de trabalho e espaços de lazer em uma mesma região, reduzindo a necessidade de deslocamentos longos. A iniciativa ainda depende de etapas de aprovação e licenciamento antes de avançar para a implantação.
Projeto prevê bairro independente em Ponta Grossa
A Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG) recebeu a apresentação técnica do projeto que prevê a implantação de um novo bairro na região de acesso ao distrito de Guaragi. A proposta foi apresentada a representantes do poder público, vereadores, empresários e instituições locais.
A iniciativa prevê a criação de uma área urbana com diferentes padrões de moradia, comércio, serviços, espaços de lazer e áreas destinadas ao trabalho. A ideia é estruturar o bairro para que os moradores possam realizar parte significativa das atividades cotidianas sem precisar percorrer longas distâncias.
O projeto é desenvolvido pelo empresário Ricardo Pimenta em parceria com o proprietário da área. Segundo ele, os estudos começaram em 2018. O nome oficial do empreendimento ainda não foi anunciado.
“Não dá para ser só empreendimento popular, nem só de alto padrão. A ideia é integrar. É um bairro para morar, trabalhar e viver, não somente residencial”, afirmou Pimenta.
Investimento previsto supera R$ 6 bilhões
A estimativa apresentada para o projeto é de mais de R$ 6 bilhões em investimentos privados ao longo do desenvolvimento. O montante contempla tanto a infraestrutura quanto a implantação futura de diferentes empreendimentos.
Entre as estruturas previstas estão redes de abastecimento de água e energia, sistemas de tratamento, iniciativas de reciclagem e reaproveitamento de recursos, além de edifícios residenciais e comerciais, escritórios, indústrias de baixo impacto ambiental, parques e outras áreas de convivência.
A proposta também prevê a organização das vias e dos espaços públicos antes da ocupação. O planejamento inclui avenidas, ciclovias, corredores verdes e medidas voltadas à mobilidade.
“Para fazer uma avenida já pensando em ciclovia, em mobilidade pública, em arborização, só fazendo desde o começo. E para isso precisamos desenhar o plano de ocupação”, explicou o responsável pelo projeto.
Pimenta também defendeu a proximidade entre moradia, trabalho e serviços como parte do conceito de cidade inteligente.
“Cidade inteligente não é eletrônica funcionando, é uma cidade feita para as pessoas, onde elas têm tudo próximo e a necessidade de se deslocar longas distâncias é reduzida. A pirâmide etária vai se inverter, e precisamos de um bairro onde a gente consiga andar, viver e trabalhar”, disse.
Incorporação ao perímetro urbano aguarda votação
O projeto que prevê a incorporação da nova área ao perímetro urbano de Ponta Grossa estava previsto para votação na sessão da Câmara Municipal desta quarta-feira (21). A proposta, no entanto, foi retirada da pauta após um pedido de vistas de 10 dias apresentado pelo vereador Ede Pimentel (PDT), para nova avaliação dos parlamentares.
A aprovação da medida é uma das etapas necessárias para o avanço do projeto. Depois dessa fase, ainda será necessário elaborar os projetos executivos detalhados e obter as licenças ambientais e demais autorizações exigidas.
A estimativa apresentada é de que o processo técnico demande pelo menos dois anos antes do início da implantação. Portanto, o empreendimento ainda está em fase de planejamento e depende das aprovações necessárias.
Projeto prevê contrapartidas e serviços para os moradores
Segundo Ricardo Pimenta, o desenvolvimento deve ocorrer por etapas, com a implantação gradual da infraestrutura e dos empreendimentos. Ele afirmou que o município deve exigir qualidade na execução e que o projeto prevê compromissos relacionados ao funcionamento da nova área.
Entre as medidas mencionadas estão o custeio do transporte coletivo durante a fase inicial, até que o bairro tenha condições de funcionamento, e ações de qualificação profissional voltadas às comunidades do entorno.
A proposta também considera a necessidade de serviços como saúde, educação e transporte para atender à população que venha a morar e trabalhar no local.
O responsável pelo projeto afirmou que a iniciativa está alinhada a diretrizes do Plano Diretor Ponta Grossa 2043, que contempla temas como educação, saúde, segurança e qualidade de vida.
ACIPG cita modelo de urbanização por etapas
O presidente da ACIPG, Leonardo Puppi Bernardi, afirmou que o modelo prevê a entrega de uma área urbanizada para receber moradias, comércio e pequenas indústrias. Ele citou como referência o Cidade dos Lagos, em Guarapuava. Bernardi também destacou a necessidade de prever os serviços que serão utilizados pelos futuros moradores.
“Isso vai permitir que a Prefeitura, ao longo das próximas décadas, economize muitos recursos. Serviços públicos que eventualmente não existam lá, como transporte coletivo, saúde e educação, ficam por conta do bairro planejado viabilizar. Geralmente esses bairros já contam com âncoras como hotelaria, escolas e hospitais da rede particular”, afirmou.
Para o presidente da associação, a implantação deve ser gradual, com desenvolvimento ao longo dos anos.
“É uma semente que é plantada hoje, mas que se desenvolve ao longo de décadas, como um pinheiro. Começa pequenininha e vai amadurecendo, até se integrar à cidade de uma forma muito harmônica”, disse.
Prefeitura defende planejamento para o crescimento da cidade
Durante a apresentação, a prefeita Elizabeth Schmidt afirmou que o crescimento de Ponta Grossa exige planejamento e citou a atualização das diretrizes urbanísticas do município.
“Ponta Grossa era uma cidade pacata e está se transformando. É uma das cidades mais fortes do Paraná e do Sul. Mas não é só tamanho, é qualidade, e nós queremos que essa qualidade continue existindo”, declarou.
A prefeita também mencionou o modelo observado em Guarapuava e pediu atenção dos vereadores à tramitação das medidas relacionadas ao projeto.
“O que vimos em Guarapuava é magnífico. O Paraná inteiro quer ter um igual, e nós estamos com essa oportunidade na mão agora”, afirmou. “Conto com o bom senso e com um olhar muito especial de todos os vereadores. Vamos ter pressa”, completou.
A implantação do empreendimento, porém, depende da tramitação legislativa, da elaboração dos projetos técnicos e da obtenção das licenças necessárias.
Projeto depende de aprovação da Câmara
O projeto que prevê a incorporação da nova área ao perímetro urbano de Ponta Grossa estava previsto para votação na sessão da Câmara Municipal desta quarta-feira (21). A proposta, no entanto, foi retirada da pauta após um pedido de vistas de 10 dias apresentado pelo vereador Ede Pimentel (PDT), para nova avaliação dos parlamentares.