Florenal defende condomínio longe do Centro: “Vai ser outro tipo de gente que vai morar lá”
“Não vai precisar de ônibus, posto de saúde ou creche”, diz vereador sobre condomínio de luxo. Projeto ainda aguarda votação na Câmara
O vereador Florenal relacionou o padrão econômico dos futuros moradores à necessidade de serviços públicos durante a discussão de um projeto imobiliário em Ponta Grossa. Previsto para uma área distante da região central, próxima ao acesso ao distrito de Guaragi, na PR-151, o empreendimento foi citado pelo parlamentar como um condomínio de alto padrão.
Ao justificar a mudança de sua posição inicial, Florenal afirmou que “vai ser outro tipo de gente que vai morar lá” e disse que os futuros moradores não precisariam de ônibus, posto de saúde ou creche. O projeto ainda não foi votado pela Câmara Municipal, após um pedido de vistas de 10 dias.
Florenal associa padrão do condomínio à necessidade de serviços públicos
A discussão sobre o projeto que prevê a transformação de uma área rural em urbana, em Ponta Grossa, teve como um dos pontos de destaque as declarações do vereador Florenal. Em dois momentos da sessão, o parlamentar relacionou o padrão econômico dos futuros moradores à necessidade de serviços públicos e infraestrutura.
Durante a comunicação parlamentar, na tribuna, Florenal afirmou que inicialmente pretendia votar contra a proposta. A preocupação, segundo ele, estava relacionada às dificuldades enfrentadas por trabalhadores que vivem em regiões afastadas e dependem do transporte coletivo para chegar ao trabalho.
Ao citar bairros como Panamá, Costa Rica, Londres e Lagoa Dourada, o vereador relatou que conhece pessoas que passam entre uma hora e uma hora e 20 minutos dentro do ônibus para chegar ao trabalho, e que empresários estariam evitando contratar pessoas da região pelo problema de deslocamento.
Na sequência, porém, o parlamentar afirmou que mudou a avaliação após saber que o empreendimento seria destinado a um público de alto padrão.
“Eu já tinha definido o meu voto contra esse projeto, mas nas últimas reuniões que a gente fez, nas últimas conversas que a gente teve, a gente vê que esse vai ser um projeto de um condomínio alto padrão. Alto padrão. Então esse pessoal não vai precisar de ônibus, não vai precisar de posto de saúde, não vai precisar de creche lá na vila deles”, declarou.
A fala chama a atenção porque a necessidade de infraestrutura pública é tratada de maneira diferente conforme o perfil econômico atribuído aos futuros moradores. Embora o vereador tenha demonstrado preocupação com os efeitos da expansão urbana sobre trabalhadores e comunidades do entorno, a classificação do empreendimento como de alto padrão aparece como um fator que altera a avaliação inicial.
Assista a fala de Florenal no Instagram do @falafornazari
Condomínio ficará distante da região central
O empreendimento está previsto para uma área próxima ao acesso ao distrito de Guaragi, na PR-151, distante da região central de Ponta Grossa. A localização torna a discussão sobre mobilidade e acesso a serviços especialmente relevante, até porque haverá trabalhadores que poderão atuar no condomínio e pessoas que vivem nas proximidades.
A questão levantada pela declaração é que o perfil econômico dos proprietários não elimina necessariamente a demanda por transporte, saúde e educação. Um empreendimento de alto padrão também pode gerar demanda por trabalhadores que residem em outras regiões e dependem de deslocamento para chegar ao local.
Assim, a discussão não envolve apenas a estrutura necessária para quem poderá comprar ou ocupar os imóveis, mas também os efeitos da implantação sobre a mobilidade e os serviços públicos da região.
Trabalhadores também fazem parte da dinâmica de um condomínio de luxo
Condomínios de alto padrão também podem demandar trabalhadores para atividades de manutenção, limpeza, jardinagem, segurança, construção e prestação de serviços. A eventual implantação de um empreendimento desse porte envolve profissionais que não necessariamente terão condições de morar na mesma região.
Essa possibilidade torna relevante a discussão sobre transporte, acesso à saúde e educação, mesmo quando o público-alvo do empreendimento tem maior poder aquisitivo. A necessidade de infraestrutura não se limita aos proprietários dos imóveis, mas também pode envolver trabalhadores, prestadores de serviços e comunidades próximas.
A fala de Florenal, ao associar o padrão do condomínio à ausência de necessidade de ônibus, posto de saúde e creche, deixa em aberto como seriam consideradas as demandas dessas pessoas no planejamento da nova área.
O próprio vereador havia demonstrado preocupação com esse tipo de situação ao mencionar trabalhadores que enfrentam longos deslocamentos. Na tribuna, ele também questionou a responsabilidade pela manutenção da infraestrutura urbana depois da conclusão das obras.
“Porque nós não podemos simplesmente liberar aqui para construir sem um estudo amplo para não tornar o pessoal refém lá de tudo”, afirmou.
Vereador voltou a citar o padrão do empreendimento durante a discussão
A associação entre o perfil dos futuros moradores e a necessidade de serviços públicos apareceu novamente durante a discussão do pedido de vistas.
Na ocasião, Florenal afirmou que as explicações apresentadas sobre o empreendimento e o padrão das construções haviam alterado o contexto da análise. O parlamentar mencionou que não se trataria de casas geminadas, mas de outro tipo de construção, incluindo chácaras.
“Mas devido ao fato das explicações que aconteceram, do padrão que vai ser o condomínio, que vai ser outro padrão, não faz, não vai ser casinha germinada (sic), vai ser outro tipo de gente que vai morar lá, chácaras, tal”, disse.
Em seguida, o vereador questionou a necessidade de prolongar a análise por 10 dias, sugerindo que o prazo poderia ser reduzido para cinco dias.
“Mas mesmo assim, como disse muito bem o vereador, o que que vai mudar 10 dias num projeto vultoso desse? O vereador podia até diminuir para 5 dias, sei lá, para que nós pudéssemos somar junto e aprovar essas vistas. E o vereador vai e tira as dúvidas que ele tem e depois nós podemos aprovar o projeto aqui”, afirmou.
Projeto ainda depende de votação na Câmara
A proposta que prevê a transformação de uma área rural em urbana estava na pauta da Câmara Municipal de Ponta Grossa na sessão de quarta-feira (21). O projeto, no entanto, não foi votado após a aprovação de um pedido de vistas por 10 dias, apresentado pelo vereador Ede Pimentel (PDT).
O prazo permite que os parlamentares analisem novamente a matéria antes de uma eventual votação. A proposta está relacionada ao empreendimento apresentado como um “bairro independente”, com previsão de investimentos superiores a R$ 6 bilhões e a intenção de reunir moradias, comércio, serviços, áreas de trabalho e lazer.