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Salário mínimo: poder de compra quase dobrou em 24 anos; veja quando não houve aumento real

O salário mínimo passou de R$ 200 em 2002 para R$ 1.621 em 2026. Segundo o DIEESE, o ganho real acumulado ficou próximo de 100%, com maiores aumentos acima da inflação nos anos 2000 e retomada da valorização a partir de 2023.

Salário mínimo: poder de compra quase dobrou em 24 anos; veja quando não houve aumento real
Salário mínimo contou com reajuste real de 2003 a 2016 e após 2023 - Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil Fonte: Agência Senado
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O salário mínimo brasileiro passou de R$ 200 em abril de 2002 para R$ 1.621 em janeiro de 2026. No período, o valor acumulou alta nominal de 710,5%. Descontada a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), o ganho real ficou próximo de 100%, o que significa que o poder de compra do piso nacional praticamente dobrou em 24 anos, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).

A evolução do salário mínimo em 24 anos

Em abril de 2002, o salário mínimo era de R$ 200. Em janeiro de 2026, o piso nacional chegou a R$ 1.621, segundo a série histórica do DIEESE.

A diferença representa um aumento nominal de 710,5%. Entretanto, esse percentual não corresponde ao ganho efetivo de poder de compra, porque os preços de produtos e serviços também subiram ao longo do período.

Para medir a valorização real do salário mínimo, o DIEESE desconta a inflação acumulada pelo INPC, índice calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Considerando esse indicador, o aumento real acumulado entre abril de 2002 e janeiro de 2026 ficou próximo de 100%. Na prática, isso significa que o salário mínimo passou a permitir a compra de aproximadamente o dobro do conjunto de bens e serviços representado pelo índice, em comparação com o início da série.

Quando ocorreram os maiores aumentos reais

Os maiores ganhos reais da série histórica se concentraram nos anos 2000 e no início da década de 2010.

Em 2005, o salário mínimo passou de R$ 260 para R$ 300, com reajuste nominal de 15,38% e aumento real de 8,23%.

No ano seguinte, o piso subiu de R$ 300 para R$ 350. O reajuste de 16,67%, diante de uma inflação de 3,21% pelo INPC considerado no cálculo, resultou em ganho real de 13,04%, o maior da série apresentada pelo DIEESE.

Em 2010, o salário mínimo chegou a R$ 510, com ganho real de 6,02%. Em 2012, passou para R$ 622, com aumento real de 7,59%.

Esses resultados mostram que, nesses anos, os reajustes superaram a inflação e ampliaram o poder de compra dos trabalhadores que recebem o piso nacional.

Reajustes foram irrisórios entre 2017 e 2022

A trajetória foi diferente em parte do período entre 2017 e 2022. Nesses anos, os reajustes ficaram próximos da inflação e, em algumas ocasiões, não foram suficientes para compensá-la integralmente.

Segundo a série do DIEESE, o aumento real foi de -0,10% em 2017 e de -0,25% em 2018, no Governo Michel Temer.

Em janeiro de 2020, o reajuste inicial também ficou abaixo da inflação considerada na comparação, com resultado real de -0,36%. Em 2021 e 2022, os ganhos reais foram praticamente nulos: 0,01% e 0,02%, respectivamente, já no Governo Bolsonaro.

O cenário indica que, nesse intervalo, houve pouca ampliação do poder de compra do salário mínimo em relação ao período anterior. Isso não significa que todos os trabalhadores tenham experimentado a mesma variação em suas despesas, já que os preços de cada família dependem dos produtos e serviços consumidos.

Valorização voltou a partir de 2023

Em 2023, o salário mínimo passou por dois reajustes. O valor foi fixado em R$ 1.302 em janeiro, referente ao que o governo Bolsonaro havia definido no ano anterior, mas elevado para R$ 1.320 em maio, já pelo terceiro governo de Lula.

A partir de 2024, a política de valorização voltou a combinar a reposição da inflação com um componente de crescimento real, seguindo as regras estabelecidas para cada período.

Em janeiro de 2024, o salário mínimo passou a R$ 1.412, com ganho real de 5,64% na comparação com o valor vigente desde maio de 2023, segundo o DIEESE.

Em 2025, o piso chegou a R$ 1.518, com aumento real de 2,61%. Já em janeiro de 2026, o valor foi fixado em R$ 1.621, com ganho real de aproximadamente 2,5%, conforme a série histórica do órgão.

A política de valorização considera a inflação e o crescimento econômico, mas está sujeita às regras legais e fiscais vigentes em cada ano.

Aumento do salário não significa que todas as despesas acompanharam a mesma trajetória

Embora o ganho real acumulado do salário mínimo tenha ficado próximo de 100% em 24 anos, isso não significa que o custo de vida das famílias tenha aumentado de maneira uniforme.

O INPC mede a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços consumidos por famílias de menor renda. Já despesas específicas, como alimentação, aluguel, energia e transporte, podem apresentar aumentos diferentes da média.

Por isso, o indicador permite comparar a evolução geral do poder de compra do salário mínimo, mas não determina sozinho quanto cada família consegue comprar com a remuneração.

Fontes e metodologia

A série histórica utilizada nesta reportagem é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), na Nota Técnica nº 289, publicada em dezembro de 2025.

O levantamento considera os reajustes nominais do salário mínimo, a inflação medida pelo INPC e o aumento real em cada etapa. Para a comparação de longo prazo, o período vai de abril de 2002 a janeiro de 2026.

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