SUS vai ampliar atendimento para dependentes de apostas ainda em 2026
Ministério da Saúde ampliará teleatendimento para dependentes de apostas até 2026, com R$70 milhões. Casos cresceram 104% desde 2018; mais de 500 mil usaram autoexclusão. Expansão via AgSUS.
O Ministério da Saúde anunciou que pretende ampliar ainda em 2026 o atendimento por telefone e videochamadas para pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas. A medida integra um plano nacional de enfrentamento aos impactos das bets na saúde mental e prevê investimento de cerca de R$ 70 milhões para reforçar os serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Resumo
Ministério da Saúde vai ampliar atendimento remoto para dependentes de apostas.
Investimento previsto é de R$ 70 milhões até o fim de 2026.
Casos relacionados a jogos cresceram 104% no SUS desde 2018.
Mais de 500 mil pessoas já utilizaram ferramenta de autoexclusão das bets.
A ampliação do serviço será realizada por meio da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS), responsável pela contratação de empresas especializadas para expandir a assistência gratuita a pessoas com dependência em jogos de apostas.
O teleatendimento voltado especificamente para esse público foi lançado em março deste ano em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. Em apenas três meses de funcionamento, a iniciativa já contabilizou 6.912 usuários cadastrados.
Segundo o Ministério da Saúde, o investimento previsto de aproximadamente R$ 70 milhões faz parte de um conjunto de ações voltadas à prevenção, qualificação profissional e ampliação do acesso aos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (Raps). O plano também contempla campanhas de conscientização e medidas para fortalecer a rede pública de atendimento.
Além da ampliação dos serviços, o governo federal anunciou a aplicação de R$ 6 milhões em uma pesquisa nacional inédita para mapear os impactos das apostas na saúde da população brasileira. O levantamento buscará identificar os grupos mais vulneráveis e orientar futuras políticas públicas de prevenção e tratamento.
Casos mais que dobraram no SUS
Os dados mais recentes do Ministério da Saúde mostram que os atendimentos relacionados ao jogo patológico e à compulsão por apostas cresceram 104% entre janeiro de 2018 e maio de 2025.
No período, foram registrados 10.553 atendimentos no SUS. Desse total, 4.316 ocorreram em serviços ambulatoriais e 6.237 na Atenção Primária à Saúde. Os casos são mais frequentes entre homens e pessoas com idade entre 20 e 49 anos, embora especialistas também apontem aumento entre os jovens.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece os transtornos relacionados aos jogos de apostas como um problema de saúde mental capaz de desencadear ansiedade, depressão, outros comportamentos compulsivos e elevar o risco de autolesão e suicídio.
Recursos virão da arrecadação das bets
Parte dos recursos destinados às ações será financiada pela chamada destinação social das apostas esportivas.
Em 2025, o Ministério da Saúde recebeu R$ 45,7 milhões provenientes da arrecadação do setor. Pela legislação vigente, os valores devem ser utilizados exclusivamente em ações de prevenção, controle e mitigação dos danos sociais causados pelos jogos.
Mesmo com esse reforço financeiro, a pasta informou que ainda não consegue mensurar quanto os atendimentos relacionados às apostas representam dentro dos custos totais da Rede de Atenção Psicossocial, que consumiu cerca de R$ 2,5 bilhões apenas em 2025.
Como buscar ajuda
Atualmente, o acesso ao teleatendimento em saúde mental voltado para problemas com apostas pode ser feito por meio do aplicativo Meu SUS Digital.
Após acessar uma conta Gov.br, o usuário encontra conteúdos educativos, informações sobre os riscos das apostas e um autoteste desenvolvido por especialistas. Quando o resultado indica risco moderado ou elevado, o sistema encaminha automaticamente a pessoa para atendimento especializado.
Quem apresenta menor nível de risco recebe orientação para procurar acompanhamento em Centros de Atenção Psicossocial (Caps) ou Unidades Básicas de Saúde (UBS).
O Ministério da Saúde também disponibiliza atendimento pela Ouvidoria do SUS, por meio do telefone 136, WhatsApp, formulário eletrônico e chatbot.
Outra ferramenta disponível é a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, lançada em dezembro de 2025. O sistema permite que o próprio usuário bloqueie seu acesso aos sites de apostas autorizados no país. Até maio deste ano, mais de 500 mil pessoas já utilizaram o recurso.
*Com informações da Agência Brasil