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Guerra e inflação limitam corte da taxa de juros, diz Copom

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A Taxa Selic voltou a cair nesta quarta-feira (17), passando de 14,50% para 14,25% ao ano. Apesar da expectativa de parte do mercado por uma redução mais expressiva, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central optou por um corte de apenas 0,25 ponto percentual, citando o cenário de incertezas internacionais e a persistência das pressões inflacionárias no Brasil.

Resumo

  • Selic foi reduzida de 14,50% para 14,25% ao ano;

  • Copom realizou o terceiro corte consecutivo dos juros;

  • Guerra no Oriente Médio e inflação elevada frearam redução maior;

  • Banco Central indicou cautela para as próximas decisões.

A decisão marca a continuidade do ciclo de flexibilização monetária iniciado em março deste ano, após a taxa permanecer em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, o maior patamar em quase duas décadas.

Por que a Selic não caiu mais?

Segundo o Banco Central, o principal fator para um corte mais moderado está no cenário de incerteza econômica global, especialmente em razão dos conflitos no Oriente Médio.

A guerra tem provocado impactos sobre os preços internacionais de combustíveis e alimentos, aumentando a pressão inflacionária em diversos países, incluindo o Brasil. Diante desse ambiente, o Copom avaliou que uma redução mais intensa dos juros poderia dificultar o retorno da inflação à meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Em comunicado, o comitê destacou a necessidade de cautela.

"No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária."

Inflação continua acima da meta

Outro fator que pesou na decisão foi o comportamento das expectativas para a inflação nos próximos anos.

Atualmente, a meta oficial é de 3% ao ano, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. No entanto, as projeções do mercado financeiro apontam inflação de 5,30% para 2026 e de 4,10% para 2027, segundo a pesquisa Focus.

Na avaliação do Banco Central, essas expectativas seguem elevadas e exigem atenção.

Além disso, o mercado de trabalho continua apresentando sinais de força e a atividade econômica mostrou aceleração no primeiro trimestre, fatores que também contribuem para manter a inflação sob pressão.

Taxa de juros fica em 14,25% após corte do Copom - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O que muda para consumidores e empresas?

A Selic é a taxa básica de juros da economia e influencia diretamente financiamentos, empréstimos, cartão de crédito e investimentos.

Quando a taxa cai, a tendência é que o crédito fique gradualmente mais barato, estimulando o consumo, os investimentos e a atividade econômica. No entanto, esse processo costuma ocorrer de forma lenta e depende das condições do mercado financeiro.

Com a redução para 14,25%, a Selic segue em um dos níveis mais elevados dos últimos anos, o que indica que o Banco Central ainda mantém uma postura conservadora para garantir o controle da inflação.

Próximas decisões dependerão dos indicadores

O Copom informou que os próximos movimentos dependerão da evolução dos indicadores econômicos, especialmente inflação, atividade econômica, mercado de trabalho e cenário internacional.

A instituição reforçou que continuará monitorando os impactos da política fiscal brasileira e dos conflitos externos antes de definir o ritmo dos próximos cortes.

*Com informações da Agência Brasil