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"Se acabou aspirando, o óleo é extremamente tóxico", aponta professor de Química

Aluno morre após ritual "banho de óleo" em escola de aviação em Ponta Grossa. Professor de Química da UEPG alerta que óleo de motor é tóxico e pode causar graves riscos à saúde por ingestão ou aspiração. Polícia investiga o caso.

"Se acabou aspirando, o óleo é extremamente tóxico", aponta professor de Química
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A morte de um aluno após um ritual conhecido como "banho de óleo", realizado em uma escola de aviação de Ponta Grossa, levantou dúvidas sobre os riscos da substância utilizada. Em entrevista ao Fornazari.com, o professor de Química da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Sérgio Ricardo de Lázaro, explicou que óleos de motor são produtos tóxicos e que a ingestão ou aspiração pode representar um grave risco à saúde.

Enquanto a Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte ocorrida durante um ritual comemorativo em uma escola de aviação, uma das principais dúvidas envolve os possíveis efeitos do óleo utilizado sobre o organismo humano.

Ouvido pelo Fornazari.com, o professor de Química da UEPG, Sérgio Ricardo de Lázaro, explicou que, do ponto de vista químico, o contato com óleo de motor não é recomendado e que a maior preocupação está na possibilidade de ingestão ou aspiração da substância.

"Quimicamente falando, é óbvio que não é recomendável. Pelo que apurei, trata-se de óleo de motor, que é um produto tóxico. O organismo humano não consegue digerir esse tipo de óleo, que normalmente é mineral, de alta densidade e desenvolvido para uso mecânico, não para contato com o corpo", afirmou.

Segundo o professor, apenas o contato com a pele pode não ser suficiente para provocar um quadro grave, dependendo das circunstâncias. No entanto, ele ressalta que a situação muda completamente caso o produto seja aspirado ou ingerido durante o ritual.

"Se, durante o banho de óleo, a pessoa respirou profundamente e acabou aspirando ou ingerindo parte da substância, aí o risco aumenta muito. Nessa situação, o óleo é extremamente tóxico. A perícia deverá esclarecer se isso ocorreu", explicou.

Outro ponto destacado pelo especialista é que ainda não há informações sobre qual tipo de óleo foi utilizado nem sobre suas condições de uso.

"Não sabemos se era óleo novo ou já utilizado no motor. Nos dois casos existe toxicidade, mas um óleo já usado tende a ser ainda mais prejudicial. Essas informações também deverão ser esclarecidas pela investigação."

O professor ressalta que muitas pessoas associam qualquer tipo de óleo a produtos utilizados na alimentação, mas lembra que há diferenças fundamentais.

"Muita gente pensa no óleo de cozinha, mas são produtos completamente diferentes. Óleos destinados a motores passam por outra composição química e não possuem qualquer característica compatível com o organismo humano."

Investigação continua

A Polícia Civil informou que instaurou investigação para esclarecer a dinâmica completa do caso. O instrutor responsável por despejar a substância sobre a vítima foi preso em flagrante por homicídio culposo, pagou fiança de R$ 3 mil e responderá ao processo em liberdade.

Exames necroscópicos, toxicológicos e químico-periciais foram requisitados para identificar a causa da morte e verificar se existe relação direta entre a substância utilizada durante o ritual e o óbito.

Os laudos periciais deverão apontar, entre outros aspectos, qual era exatamente o produto utilizado, sua composição química e se houve ingestão ou aspiração pelo aluno durante o procedimento.

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