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Saiba em detalhes o que é o fenol, quais efeitos pode causar e o que o laudo revelou no caso de Gustavo Lara

Laudo encontrou fenol nas roupas de Gustavo Lara, piloto que morreu após “banho de óleo” em Ponta Grossa. Entenda os riscos da substância e o que ainda é investigado.

Saiba em detalhes o que é o fenol, quais efeitos pode causar e o que o laudo revelou no caso de Gustavo Lara
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A presença de fenol nas roupas de Gustavo Henrique Lara, de 27 anos, que morreu após participar do tradicional “banho de óleo” em Ponta Grossa, trouxe uma nova informação para a investigação da morte do piloto. O resultado de uma perícia da Polícia Científica do Paraná, divulgado nesta segunda-feira (21), identificou a substância nas vestimentas do jovem e apontou que as lesões descritas na necropsia são compatíveis com exposição ao produto. Diante das novas informações, a Polícia Civil adiou a conclusão do inquérito, que estava prevista para esta segunda-feira, e ainda não estabeleceu uma nova data para finalizar a investigação.

O fenol é uma substância química utilizada principalmente na indústria, especialmente na produção de resinas e plásticos, mas também pode estar presente em determinadas aplicações químicas e medicamentos. Apesar de possuir diferentes usos, trata-se de um composto que exige cuidados porque pode provocar queimaduras químicas e intoxicação quando uma pessoa é exposta a concentrações perigosas.

De acordo com informações toxicológicas da Agência para Substâncias Tóxicas e Registro de Doenças (ATSDR), ligada ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), o fenol pode ser absorvido pelo organismo por meio da pele, dos pulmões e do sistema digestivo.

Esse é um dos aspectos que torna a substância particularmente perigosa em situações de contato direto com o corpo. A exposição não precisa ocorrer pela ingestão. O contato da substância com a pele também pode provocar intoxicação sistêmica.

O que acontece quando o fenol entra em contato com a pele?

O fenol é corrosivo e pode provocar queimaduras químicas no local de contato. Segundo a ATSDR, até mesmo soluções diluídas entre 1% e 2% podem causar queimaduras graves quando permanecem em contato com a pele por tempo prolongado.

A substância também pode ser rapidamente absorvida pela pele e atingir a circulação sanguínea. Em casos de exposição significativa, os efeitos podem atingir diferentes órgãos e sistemas do organismo.

Entre os sintomas descritos em casos de intoxicação estão irritação e queimaduras na pele e nos olhos, fraqueza, náuseas, vômitos, alterações da pressão arterial, alterações do ritmo cardíaco, convulsões e perda de consciência.

A exposição também pode comprometer o sistema respiratório. O fenol pode irritar e lesionar as vias respiratórias e, em situações graves, provocar edema pulmonar e dificuldade para respirar.

O Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional dos Estados Unidos (NIOSH) classifica o fenol como uma substância que pode ser absorvida pela pele e estabelece limites específicos para exposição ocupacional. O órgão considera 250 partes por milhão (ppm) como concentração imediatamente perigosa à vida ou à saúde, parâmetro utilizado em ambientes de trabalho e que não deve ser confundido com uma “dose fatal” para uma pessoa.

A toxicidade depende de diversos fatores, como concentração, quantidade, tempo de exposição, superfície corporal atingida e via de contato. Por isso, não existe uma única quantidade de fenol que possa ser apresentada como capaz de provocar a morte em qualquer pessoa.

A ATSDR registra, entretanto, que exposições graves podem ser fatais. Há relatos de mortes após ingestão de quantidades que variaram de 1 a 32 gramas em adultos. Esses números não podem ser utilizados para calcular uma dose letal por contato com a pele, porque as condições de exposição são diferentes.

O que o laudo encontrou no caso de Gustavo?

No caso investigado em Ponta Grossa, a Polícia Científica identificou fenol nas roupas utilizadas por Gustavo Henrique Lara durante o “banho de óleo”.

Segundo o laudo divulgado nesta segunda-feira (21), as roupas estavam completamente embebidas por uma solução aquosa de fenol. A análise também apontou que as lesões descritas anteriormente na necropsia são compatíveis com os efeitos provocados pela exposição à substância.

O laudo de necropsia já havia indicado que Gustavo morreu por asfixia decorrente de edema das vias aéreas após exposição química. Também foram identificadas queimaduras químicas em diferentes regiões do corpo.

A nova perícia, portanto, acrescenta uma informação importante ao que já havia sido identificado na necropsia: a presença de uma substância específica capaz de provocar queimaduras e intoxicação sistêmica.

Isso, porém, ainda não responde a uma das principais perguntas da investigação: de onde veio o fenol que atingiu o corpo de Gustavo?

Amostras analisadas tinham composição diferente

Outro ponto destacado pela perícia é a diferença entre os materiais analisados.

O fenol foi identificado tanto nas roupas de Gustavo quanto no líquido recolhido em uma garrafa durante a investigação. No entanto, os exames apontaram que as duas amostras tinham composições diferentes.

Nas roupas, o fenol estava dissolvido em água. Já no líquido recolhido na garrafa, a substância estava misturada a hidrocarbonetos, compostos derivados de petróleo.

Segundo as informações divulgadas sobre o laudo, essa diferença fez com que os materiais fossem considerados quimicamente incompatíveis. Até o momento, portanto, não foi possível estabelecer que o líquido encontrado na garrafa seja o mesmo material que entrou em contato com o corpo do piloto.

Também não foi possível determinar a origem do fenol encontrado nas roupas.

Essa diferença é um dos motivos pelos quais a investigação ganhou novos desdobramentos. Para avançar na comparação, seria necessária a análise de uma amostra original do produto utilizado no ritual.

Fenol estava no óleo de motor utilizado no ritual?

A presença do fenol nas roupas de Gustavo não permite afirmar, por si só, que o óleo de motor de aeronave utilizado no “banho de óleo” tivesse fenol em sua composição original.

Existem produtos industriais e lubrificantes que podem conter diferentes compostos químicos, mas a composição varia de acordo com o produto. No caso investigado em Ponta Grossa, a perícia encontrou diferenças entre a amostra retirada das roupas e o material recolhido na garrafa.

Por isso, a origem do fenol continua sendo uma questão central para a Polícia Civil.

A investigação deverá esclarecer se a substância fazia parte do produto utilizado originalmente, se houve algum tipo de mistura ou contaminação ou se o material que atingiu Gustavo teve outra origem. Neste momento, não há conclusão pericial divulgada que permita afirmar qual dessas possibilidades ocorreu.

Polícia adia conclusão do inquérito

A Polícia Civil havia previsto concluir o inquérito que investiga a morte de Gustavo nesta segunda-feira (21). Porém, as novas informações obtidas a partir da perícia levaram ao adiamento da conclusão.

A descoberta do fenol e as diferenças encontradas entre as amostras abriram novas questões para a investigação, que deverá realizar diligências e analisar os resultados dos exames complementares.

Até o momento, não foi estabelecido um novo prazo para a finalização do inquérito.

A Polícia Civil também deverá esclarecer qual foi exatamente a participação do fenol no quadro que provocou a morte, além de determinar a origem da substância encontrada nas roupas e a relação, ou não, entre esse material e o produto utilizado durante o ritual.

O que se sabe até agora

Gustavo Henrique Lara morreu em 16 de julho, em Ponta Grossa, após participar de uma comemoração relacionada ao seu primeiro voo solo. Durante o chamado “banho de óleo”, tradicional em algumas escolas de aviação, o aluno recebe sobre o corpo um produto utilizado em motores de aeronaves.

Após o contato com o líquido, Gustavo passou mal e apresentou um quadro grave, com dificuldade para respirar, convulsão e paradas cardiorrespiratórias. Ele foi atendido pelo Samu e levado para atendimento hospitalar, mas não resistiu.

A investigação inicialmente tratou o caso como homicídio culposo e o instrutor responsável por aplicar o produto foi preso em flagrante e posteriormente colocado em liberdade mediante pagamento de fiança.

Com a identificação do fenol, o caso passa a contar com uma nova informação técnica sobre a exposição química sofrida pelo piloto. Ao mesmo tempo, a diferença entre as amostras mantém em aberto uma questão fundamental: como o fenol chegou às roupas e ao corpo de Gustavo?

A resposta depende dos próximos exames e das diligências da Polícia Civil. Até que esses procedimentos sejam concluídos, não é possível estabelecer, com base apenas no novo laudo, a origem da substância ou atribuir definitivamente a ela toda a dinâmica que levou à morte do jovem.

Imagem criada por Inteligência Artificial após comandos da reportagem do Fornazari.com e posterior revisão

Reportagem produzida com informações da CNN Brasil e Uol sobre o caso. Já a pesquisa sobre o fenol foi realizada pela própria reportagem do Fornazari.com.

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