Propina: Gaeco cumpre mandados nos Campos Gerais e afasta 12 policiais no Paraná
Segunda fase da Operação Via Pix cumpre 24 mandados em 11 cidades do Paraná e afasta 12 policiais rodoviários. Investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
O Gaeco de Ponta Grossa e a Corregedoria da Polícia Militar deflagraram, nesta quinta-feira (13), a segunda fase da Operação Via Pix, que investiga possíveis crimes cometidos por policiais rodoviários estaduais nos Campos Gerais e no Norte Pioneiro. Foram cumpridos 24 mandados em 11 cidades, com afastamento cautelar de 12 policiais das funções operacionais e cinco prisões em flagrante.
Crimes investigados
A investigação apura possíveis crimes de concussão, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e constituição de organização criminosa. Conforme as informações reunidas pelo Gaeco, há indícios de que policiais mantinham acordos com empresários dos setores de transporte de cargas e madeira.
Segundo a apuração, empresários pagariam propinas mensais aos policiais para evitar fiscalizações nas rodovias estaduais. Também foram identificados indícios de pagamentos indevidos para que informações fossem adulteradas em boletins de ocorrência de acidentes de trânsito, o que poderia beneficiar empresas perante o Detran e seguradoras.
Nova etapa da investigação
A nova etapa da investigação amplia o alcance da Operação Via Pix, iniciada em março de 2025 a partir de informações encaminhadas ao Ministério Público sobre possíveis irregularidades envolvendo policiais rodoviários estaduais.
Nesta quinta-feira (13), o Núcleo de Ponta Grossa do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Corregedoria da Polícia Militar, cumpriu 24 mandados de busca e apreensão domiciliar e pessoal. As ordens judiciais foram expedidas pela Vara da Auditoria da Justiça Militar Estadual.
As medidas foram realizadas em Ponta Grossa, Castro, Jaguariaíva, Ibaiti, Arapoti, Wenceslau Braz, Guarapuava, Joaquim Távora, Curiúva, Sengés e Guapirama. Além das buscas, 12 policiais rodoviários estaduais investigados foram afastados cautelarmente das funções operacionais.
Durante o cumprimento dos mandados, cinco pessoas foram presas em flagrante. Segundo o Gaeco, quatro prisões ocorreram por posse irregular de armas e munições, enquanto uma foi motivada por obstrução da Justiça.
Primeira fase identificou pagamentos por PIX
A primeira fase da Operação Via Pix ocorreu em outubro de 2025, quando foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão e sete policiais rodoviários estaduais foram afastados das funções operacionais.
Na ocasião, as investigações apontaram uma estrutura de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo policiais, empresas e civis. Conforme o Gaeco, durante fiscalizações, blitzes ou abordagens próximas aos postos policiais, motoristas teriam sido submetidos à cobrança de vantagens indevidas para a liberação dos veículos.
Os pagamentos poderiam ocorrer em dinheiro ou por meio de transferências via PIX, muitas vezes destinadas a contas de empresas e civis apontados como possíveis "laranjas". A investigação identificou quase uma centena de motoristas que teriam realizado pagamentos por exigência dos policiais.
Somente considerando as contas bancárias identificadas naquele momento, os investigados teriam recebido cerca de R$ 140 mil por meio de pagamentos via PIX entre dezembro de 2024 e agosto de 2025.
A nova fase busca consolidar provas sobre a participação de outros policiais no suposto esquema e aprofundar a apuração sobre a atuação de empresários e outras pessoas que teriam participado das práticas investigadas.
Investigação também alcança suspeita de tráfico
Paralelamente à Operação Via Pix, o Gaeco cumpriu três mandados de busca e apreensão em residências de três pessoas em Jaguariaíva. As ordens foram expedidas pelo Juízo da Vara de Garantias do município.
Segundo o Ministério Público, essa frente tem como objetivo desarticular um suposto esquema de tráfico de drogas descoberto durante o avanço das investigações da primeira fase. A apuração aponta que o esquema teria contado com o acobertamento de um dos policiais investigados.
As investigações seguem sob responsabilidade do Gaeco, com apoio da Corregedoria da Polícia Militar.