Operário abre 2 a 0, perde controle e cede empate ao Ceará no Germano Krüger
O Operário abriu dois gols de vantagem, mas cedeu o empate por 2 a 2 ao Ceará na tarde deste sábado (26), no Estádio Germano Krüger, em Ponta Grossa, pela 30ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. Depois de ser eficiente para construir a vantagem mesmo convivendo com desfalques e duas lesões no ataque, o Fantasma perdeu organização após mudanças no segundo tempo, permitiu o crescimento dos visitantes e deixou escapar dois pontos importantes na luta pelo G6.
O Operário saiu de campo com a sensação de ter desperdiçado uma oportunidade importante diante da própria torcida. O empate em 2 a 2 teve contornos ainda mais incômodos porque o Fantasma conseguiu construir uma vantagem de dois gols mesmo enfrentando uma tarde marcada por desfalques, lesões e momentos de pressão do Ceará.
A equipe de Luizinho Lopes entrou em campo embalada por uma sequência de seis partidas sem derrota e ocupando a quinta colocação, com 47 pontos. O Ceará iniciou a rodada em 15º, com 35.
O Fantasma já precisava lidar com problemas antes mesmo de a bola rolar. Os zagueiros Joseph e Cuenú estavam suspensos, enquanto Angel Torres sofreu uma ruptura do menisco medial no treino da véspera e terá que passar por cirurgia. O atacante colombiano está fora do restante da temporada. Klaus, Miranda e Maxwell foram os escolhidos para as vagas.
O Ceará começou encontrando espaços na defesa alvinegra. Logo aos seis minutos, Melk recebeu em condição de enfrentar os defensores do Operário e finalizou forte da entrada da área. Vagner fez boa defesa e mandou para escanteio.
A resposta do Fantasma foi imediata e eficiente. Aos nove minutos, Berto recebeu pela direita da grande área e finalizou cruzado. Richard rebateu para o meio da área e Boschilia apareceu livre para completar: 1 a 0. Foi o 13º gol do camisa 10 na Série B.
Depois da abertura do placar, o jogo ficou mais truncado e marcado por faltas. Aos 28 minutos, Doka tentou surpreender Richard em cobrança próxima da área, batendo por cobertura, mas o goleiro cearense conseguiu espalmar. Vinícius Diniz também arriscou de média distância após rebote, mas a bola explodiu na defesa.
Aos 40 minutos, Luizinho Lopes ganhou outro problema. Maxwell, escolhido para substituir Angel Torres no ataque, sentiu uma lesão e deixou o gramado de maca. Aylon entrou em campo.
A participação dele foi imediata. Na primeira jogada, recuperou a bola no campo de defesa e acionou Boschilia, que encontrou Berto livre pela direita. O cabo-verdiano finalizou forte e acertou o travessão de Richard.
Nos acréscimos, porém, o Operário deu sinais do que se tornaria um problema mais evidente no segundo tempo. Matheus Trindade perdeu a bola no meio e permitiu um contra-ataque perigoso. Depois de a defesa afastar parcialmente, Klaus falhou no rebote e a bola ficou limpa dentro da área. Aylon apareceu de trás e evitou o empate com um carrinho preciso.
Pouco depois, Melk ainda cobrou falta frontal de longa distância, mas Vagner segurou firme.
Na volta do intervalo, Daniel Paulista colocou Matheus Araújo no lugar de Enzo Lodovico. O Ceará passou a ocupar mais o campo ofensivo e teve maior volume, embora encontrasse dificuldades para transformar a posse em finalizações contra Vagner.
Enquanto Vina se preparava para entrar, o Operário voltou a mostrar eficácia justamente em um momento de crescimento dos visitantes.
Aos 15 minutos, Vinícius Diniz avançou com espaço pelo meio, ajeitou o corpo como se fosse finalizar e encontrou Caio Dantas com um passe preciso. O atacante dominou, deixou um defensor no chão e bateu na saída de Richard: 2 a 0.
A vantagem parecia dar ao Fantasma controle suficiente para administrar a partida. Foi justamente a partir daí, entretanto, que o cenário começou a mudar.
Luizinho Lopes retirou Boschilia, que estava pendurado com dois cartões amarelos, e Caio Dantas. Neto Paraíba e Moraes Junior entraram.
As mudanças coincidiram com uma perda significativa de organização do Operário. O time passou a ter dificuldade para encaixar os contra-ataques, errava na saída após recuperar a posse e devolvia rapidamente a bola ao Ceará, pois não tinha referência no ataque. Sem conseguir manter o adversário longe da própria área, o Fantasma permitiu que a pressão aumentasse.
Aos 24 minutos, os visitantes diminuíram. A bola circulou com facilidade no campo defensivo do Operário, Melk encontrou espaço para o passe e Matheus Araújo apareceu para tocar por cobertura na saída de Vagner: 2 a 1.
O gol aumentou a pressão sobre um Operário que já não conseguia controlar o ritmo da partida. Aos 31 minutos, Vina apareceu sozinho na pequena área e colocou a bola na rede. Inicialmente, o árbitro André Skettino Policarpo Bento marcou falta de ataque de Luiz Otávio sobre Vinícius Diniz e anulou o lance.
O VAR, comandado por Douglas Marques das Flores, chamou o árbitro para a revisão. Após analisar as imagens, André Skettino voltou atrás, retirou a falta e confirmou o empate do Ceará.
A reação ofensiva do Operário só apareceu novamente depois do 2 a 2. Doka e Moraes tiveram oportunidades para recolocar o Fantasma na frente, mas não conseguiram marcar.
O cenário chegou a ficar ainda pior para os donos da casa. Vina teve uma chance para virar a partida e parou em boa defesa de Vagner. Depois, em outro contra-ataque, conseguiu tirar a bola do goleiro alvinegro, mas Doka apareceu pelo meio da defesa e cortou de cabeça antes que o lance se transformasse em nova oportunidade clara.
O empate deixa uma avaliação incômoda para o Operário. A equipe foi eficiente para construir dois gols de vantagem e conseguiu superar uma série de problemas durante o jogo, mas não sustentou o controle quando tinha o resultado encaminhado. As dificuldades para manter a posse, ajustar o sistema após as substituições e impedir que o Ceará jogasse próximo à área transformaram uma vitória importante em mais um resultado ruim dentro de casa na disputa pelo G6.
Com 48 pontos, o Fantasma ainda pode deixar o grupo dos seis primeiros ao final da rodada. Criciúma, Atlético Goianiense e CRB aparecem como equipes que podem ultrapassar o Operário.
Na próxima rodada, o desafio será justamente um confronto direto na briga pelo G6. O Operário visita o Juventude na sexta-feira (02), às 20h45, no Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul.
O Ceará volta a atuar fora de casa. No sábado (03), às 11h, enfrenta o Avaí, em Florianópolis, em duelo direto na luta contra o rebaixamento.
Ficha técnica
Operário: Vagner; Doka, Klaus, Miranda e Gabriel Feliciano; Matheus Trindade (Índio), Vinícius Diniz e Boschilia (Neto Paraíba); Maxwell (Aylon), Berto (Mingotti) e Caio Dantas (Moraes). Técnico: Luizinho Lopes.
Ceará: Richard; Bryan Borges (Éder), Luiz Otávio, Luizão e Sánchez; Júlio César, João Gabriel (Pavani) e Melk (Lucas Mugni); Enzo Lodovico (Matheus Araújo), Rian Santana (Vina) e Saulo Mineiro. Técnico: Daniel Paulista.
Foto: André Jonsson / OFEC