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O que é a polilaminina, substância aplicada pela primeira vez no HU-UEPG?

Entenda o que é a polilaminina, substância experimental aplicada pela primeira vez no HU-UEPG, como ela funciona e quais são os critérios informados para seu uso.

O que é a polilaminina, substância aplicada pela primeira vez no HU-UEPG?
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A polilaminina, substância experimental estudada para estimular a regeneração de tecidos e conexões nervosas em pessoas com lesões na medula espinhal, foi utilizada pela primeira vez no Hospital Universitário da Universidade Estadual de Ponta Grossa (HU-UEPG) na quarta-feira (23). O medicamento está em fase inicial de avaliação em humanos e seu uso ocorre por meio de autorização individual, conforme as regras de uso compassivo.

O que é a polilaminina e como ela funciona?

A polilaminina é uma substância desenvolvida a partir da laminina, proteína que existe naturalmente no corpo humano. Segundo o neurocirurgião especialista em cirurgia de coluna Marco Aurélio Braz de Lima, pesquisador responsável pela aplicação no HU-UEPG, a proteína pode funcionar como uma espécie de estrutura de apoio para orientar o crescimento das células nervosas.

Após uma lesão na medula espinhal, essas células enfrentam dificuldades para se regenerar e restabelecer conexões. A proposta da polilaminina é estimular esse processo por meio da aplicação direta da substância na região lesionada.

“A laminina é uma proteína que existe naturalmente no nosso corpo e funciona como um ‘andaime’, guiando o crescimento dessas células. A Polilaminina é uma forma dessa proteína, desenvolvida pela professora Tatiana Coelho-Sampaio, da UFRJ, e aplicada diretamente na lesão para estimular a regeneração”, explica Braz de Lima.

A substância foi desenvolvida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o Laboratório Cristália. Os estudos começaram com testes em animais, incluindo roedores e cães, antes de avançarem para a avaliação em humanos.

Segundo o pesquisador, a autorização para a Fase 1 em humanos ocorreu em janeiro de 2026, com foco principalmente em casos graves de lesão medular.

Por que a aplicação no HU-UEPG é relevante?

A aplicação realizada no Hospital Universitário representa a primeira utilização da substância na instituição. O procedimento foi acompanhado por profissionais especializados e envolveu equipes do hospital, pesquisadores e representantes responsáveis pelo estudo.

A diretora-geral dos Hospitais da UEPG, professora Fabiana Mansani, destacou a participação da instituição em iniciativas científicas e a possibilidade de acesso a terapias inovadoras em um hospital público vinculado ao Sistema Único de Saúde (SUS).

“Participar de uma iniciativa dessa natureza demonstra a capacidade da instituição de estar inserida nos avanços científicos e tecnológicos da área da saúde, oferecendo à população atendida pelo SUS a possibilidade de acesso a uma terapia inovadora dentro de um ambiente hospitalar público e universitário”, afirmou.

O diretor técnico dos HU-UEPG, médico Marcelo Young Blood, também ressaltou o trabalho das equipes envolvidas na obtenção das autorizações e na organização do procedimento. Segundo ele, a atuação conjunta do hospital e da 4ª Regional de Saúde permitiu viabilizar o uso da substância em tempo hábil.

Já o responsável pela neurocirurgia do HU-UEPG, médico Fábio Viegas, relatou que a equipe conhecia os critérios de elegibilidade, mas ainda precisava estabelecer contato com os responsáveis pelo estudo. Após a identificação de um paciente que se enquadrava nos critérios, foram realizados os contatos com o laboratório e os procedimentos necessários para a autorização.

Quem pode receber a polilaminina?

De acordo com o neurocirurgião Marco Aurélio Braz de Lima, os critérios informados para a utilização da substância são:

  • Lesão na região torácica da medula espinhal;

  • Até 72 horas desde o trauma;

  • Déficit neurológico completo, classificado como grau A na escala ASIA;

  • Idade entre 18 e 72 anos.

O pesquisador orienta que novos casos sejam encaminhados diretamente ao laboratório pela família e/ou pelo médico responsável pelo paciente, acompanhados de relatório médico, exames de imagem e da data da lesão.

Casos que não se enquadram nos critérios informados dependem de autorização judicial, segundo Braz de Lima.

A polilaminina já tem eficácia comprovada?

A substância ainda é experimental e está em uma fase inicial de avaliação de seu uso em humanos. Portanto, sua aplicação não significa que a recuperação neurológica esteja garantida.

O médico Fábio Viegas destacou que ainda há etapas de pesquisa e avaliação clínica a serem percorridas, embora exista expectativa em relação ao potencial da substância para o tratamento de lesões neurológicas graves.

A diretora-geral dos hospitais da UEPG, Fabiana Mansani, reforçou a necessidade de acompanhar a evolução do paciente antes de interpretar os resultados.

“O paciente permanece sob acompanhamento da equipe assistencial especializada, com monitoramento contínuo de sua evolução clínica. Neste momento, é importante ter cautela na interpretação dos resultados”, afirmou.

A aplicação da polilaminina no HU-UEPG representa uma etapa do processo de avaliação da substância. Os resultados dependem do acompanhamento clínico e da análise criteriosa da evolução do paciente ao longo do tempo.

*Com informações e imagens de Tierri Angeluci do HU-UEPG

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