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Moro x Lula: Agora governador, ex-juiz vai ter que articular recursos com quem mandou para a cadeia

Sérgio Moro, eleito governador do Paraná, terá de negociar com o governo Lula por investimentos, obras e recursos federais, apesar das divergências políticas entre os dois.

Moro x Lula: Agora governador, ex-juiz vai ter que articular recursos com quem mandou para a cadeia
Moro (esq.) vai ser governador do Paraná e Lula foi reeleito presidente do Brasil - Fotos: Divulgação
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Eleito governador do Paraná no primeiro turno, Sérgio Moro (PL) terá de estabelecer uma relação institucional com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito presidente da República neste domingo (25). Apesar das divergências políticas e do histórico de confrontos entre os dois, a administração estadual dependerá de articulação com o governo federal em áreas como infraestrutura, investimentos e projetos financiados pela União.

Moro critica resultado presidencial e mantém posição de oposição

Na manhã desta segunda-feira (26), após a confirmação da vitória de Lula no segundo turno, Sérgio Moro se manifestou nas redes sociais sem cumprimentar o presidente pela reeleição.

O governador eleito afirmou que a maioria dos paranaenses se posicionou contra Lula e declarou que existem questionamentos da oposição que precisam ser esclarecidos. Na publicação, porém, não detalhou quais seriam esses questionamentos.

“Seguiremos firmes na defesa do Brasil, dos nossos valores e da liberdade, independentemente de quem for o presidente”, escreveu Moro.

Na mesma mensagem, afirmou que pretende fazer do Paraná a “Fortaleza da Liberdade” e prometeu trabalhar por oportunidades, desenvolvimento e esperança para a população do estado.

A manifestação indica a intenção de manter o posicionamento político de oposição ao presidente. Entretanto, não define como será conduzida a relação administrativa entre os governos estadual e federal.

Flávio Bolsonaro venceu no Paraná; Lula ganhou no país

O resultado presidencial no Paraná foi diferente do cenário nacional. No estado, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 4.291.444 votos, equivalentes a 62,58% dos votos válidos. Lula obteve 2.566.504 votos, ou 37,42%, segundo os números apresentados no levantamento.

A diferença entre os candidatos no Paraná foi de 1.724.940 votos.

No resultado nacional, Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, correspondentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%, conforme os dados informados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Moro mencionou a diferença entre os cenários estadual e nacional ao comentar o resultado. Ele afirmou que a oposição continuará cobrando esclarecimentos, mas não especificou quais medidas pretende adotar.

Histórico entre Moro e Lula passa pela Operação Lava Jato

A relação entre os dois políticos é marcada pelos processos da Operação Lava Jato. Quando era juiz federal em Curitiba, Moro conduziu ações relacionadas às investigações de corrupção, incluindo o processo do tríplex do Guarujá, que levou à condenação e à prisão de Lula em 2018.

Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou a anulação das condenações de Lula julgadas pela Justiça Federal de Curitiba, por entender que aquele juízo não tinha competência para analisar os casos. Em outro julgamento, o Supremo reconheceu a parcialidade de Moro no processo do tríplex.

Após deixar a magistratura, Moro assumiu o Ministério da Justiça no governo de Jair Bolsonaro e, posteriormente, ingressou na política partidária.

Em 2022, foi eleito senador pelo Paraná. Em 2026, conquistou a eleição para o governo estadual no primeiro turno, com 3.127.911 votos, equivalentes a 50,10% dos votos válidos, segundo os números informados do TSE.

Recursos federais exigirão articulação entre os governos

A relação entre o Palácio Iguaçu e o governo federal tem consequências práticas para a administração do Paraná. Obras de infraestrutura, investimentos em rodovias federais, programas financiados pela União e projetos que dependem de convênios exigem articulação entre os diferentes níveis de governo.

Essa interlocução não significa alinhamento político. Governadores de oposição podem negociar com o governo federal, assim como a União mantém relações administrativas com estados comandados por adversários partidários.

No caso paranaense, a relação entre Moro e Lula será acompanhada em temas que envolvem obras, investimentos e políticas públicas de interesse estadual. A execução de projetos específicos dependerá de orçamento, contratos, decisões administrativas e negociações que ainda precisarão ser definidas.

Moro afirmou que pretende defender suas posições políticas independentemente de quem ocupe a Presidência. Até o momento descrito no material, porém, não detalhou quais projetos serão prioritários nas negociações com Brasília.

O que esperar a partir de janeiro de 2027

O início do mandato de Moro colocará em evidência a relação entre dois políticos que protagonizaram etapas distintas de um dos principais conflitos judiciais e políticos do país nos últimos anos.

Lula iniciará um novo mandato presidencial após vencer a disputa nacional. Moro, por sua vez, assumirá o governo de um estado em que Flávio Bolsonaro obteve a maioria dos votos válidos no segundo turno.

A relação entre os governos será definida pelas decisões tomadas a partir de janeiro de 2027. As declarações públicas indicam divergências políticas, mas não permitem afirmar que haverá bloqueio de recursos, ruptura institucional ou impedimento de acordos administrativos.

Para o Paraná, um dos pontos centrais será a capacidade de negociar projetos e investimentos com a União, mantendo as posições políticas do governo estadual e atendendo às demandas do estado.

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