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Clinicão pede para ser ouvida por vereadores na CPI da Câmara

A Clinicão protocolou pedido para ser ouvida pela CPI da Câmara de Ponta Grossa. Solicitação ocorre durante as investigações sobre contratos do CRAR, após relatório parcial da comissão e indiciamento da empresa pela Polícia Civil.

Clinicão pede para ser ouvida por vereadores na CPI da Câmara
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A Clinicão Clínica Veterinária Popular Ltda., empresa investigada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal de Ponta Grossa, protocolou um pedido formal para que os representantes dela sejam ouvidos pelos vereadores. O movimento é considerado incomum, já que partiu da própria investigada, e ocorre em meio aos trabalhos da comissão que apura possíveis irregularidades administrativas, contratuais, sanitárias e operacionais na execução dos serviços prestados ao Município.

A solicitação foi encaminhada à presidência da CPI por meio do Ofício nº 010/2026. No documento, a empresa afirma que, apesar das diversas oitivas já realizadas pela comissão, os gestores diretamente responsáveis pela operação ainda não tiveram a oportunidade de apresentar esclarecimentos aos parlamentares.

Resumo

  • Clinicão protocolou pedido para ser ouvida pela CPI da Câmara;

  • Empresa afirma que ainda não teve oportunidade de apresentar sua versão dos fatos;

  • Comissão já aprovou relatório parcial recomendando a rescisão do contrato;

  • Polícia Civil concluiu inquérito e indiciou a empresa e três médicos-veterinários;

  • Trabalhos da CPI seguem em andamento.

Pedido de participação nos trabalhos

No requerimento encaminhado à comissão obtido pelo Fornazari.com, a Clinicão indicou para prestar depoimento o gestor da operação, Emídio Orácio Maciel Júnior, o gestor do contrato, Matheus Wedicny Fraitag, além do procurador jurídico da empresa, Rodrigo da Rocha Rosa.

Segundo o documento, a participação dos representantes seria necessária para que a CPI tenha acesso à integralidade das informações relacionadas aos fatos investigados. A empresa argumenta que os depoimentos poderiam contribuir para uma análise mais ampla dos apontamentos levantados ao longo dos trabalhos.

O pedido chama atenção por ocorrer em um cenário pouco usual. Embora seja comum que CPIs convoquem investigados para prestar esclarecimentos, é menos frequente que a própria empresa alvo da investigação solicite formalmente espaço para participar das oitivas.

Ao mesmo tempo, a solicitação surge após a aprovação de um relatório parcial da comissão, que apresentou recomendações e encaminhamentos antes da realização de depoimentos dos representantes da investigada.

A reportagem do Fornazari.com solicitou posicionamento da CPI sobre o motivo de não terem havido oitavas até o momento com representantes da Clinicão, e o texto será atualizado quando houver a resposta.

Relatório parcial recomendou rescisão do contrato

Instituída por meio do Requerimento nº 243/2026, a CPI da Clinicão investiga os contratos firmados entre a Prefeitura de Ponta Grossa e a empresa responsável pela operação do Centro de Referência para Animais em Risco (CRAR).

No dia 3 de junho, os vereadores aprovaram um relatório parcial que recomenda a rescisão imediata do contrato, aplicação de penalidades administrativas e encaminhamento das informações ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado do Paraná.

Entre os principais apontamentos do documento estão supostas irregularidades na formação dos preços da licitação, indícios de vínculos entre empresas utilizadas na pesquisa de mercado e falhas na fiscalização contratual.

A relatora da CPI, vereadora Joce Canto, destacou durante a apresentação do relatório que o documento não tem caráter condenatório.

“É importante destacar que este é um relatório parcial. Nós não estamos condenando pessoas, nem substituindo o trabalho do Ministério Público, Tribunal de Contas ou do Poder Judiciário. Nosso papel aqui é apontar fatos, inconsistências e evidências para que os órgãos competentes possam aprofundar as apurações e tomar as medidas cabíveis”, afirmou.

Os integrantes da comissão justificaram a divulgação antecipada do relatório pela gravidade dos fatos apurados.

O vereador Geraldo Stocco afirmou que os depoimentos já colhidos demonstravam a necessidade de medidas imediatas.

“É muita demanda, é muito problema para que a gente espere somente até o final do relatório. A gente teve aqui médico-veterinário que é fiscal do contrato dizendo que a Clinicão não presta um serviço adequado. Isso é gravíssimo”, declarou.

Na mesma linha, o vereador Guilherme Mazer defendeu que a CPI não poderia aguardar a conclusão de todos os trabalhos para comunicar os órgãos competentes.

“Não poderíamos esperar até o fim da CPI para ter o relatório final, porque isso não é um contrato de roçada de grama, é um contrato que cuida da saúde dos animais”, afirmou.

Polícia Civil concluiu inquérito e indiciou empresa

Paralelamente aos trabalhos da CPI, a Polícia Civil do Paraná concluiu um inquérito que investigava denúncias de maus-tratos envolvendo a empresa.

Segundo a corporação, as investigações começaram após denúncias divulgadas pela imprensa local mostrando o descarte de cães em uma área afastada da cidade. Os animais haviam sido recolhidos para procedimentos de castração e posteriormente abandonados em local diferente daquele de origem.

O delegado Derick Moura Jorge informou que as diligências identificaram diversas irregularidades sanitárias e operacionais.

“As informações preliminares davam conta de que dois animais comunitários haviam sido recolhidos, submetidos ao devido procedimento cirúrgico e, na sequência, dispensados em local distinto daquele em que haviam sido inicialmente coletados. Não havia cicatrização dos pontos, não havia o devido processo de assepsia do local, colocando em evidente risco a saúde desses animais”, afirmou.

Ao final da investigação, a Polícia Civil promoveu o indiciamento da pessoa jurídica e de três médicos-veterinários pelo crime de maus-tratos a animais. O caso foi encaminhado ao Ministério Público.

Casos de maus-tratos também foram citados pela CPI

Além das questões relacionadas à licitação, o relatório parcial da CPI apontou situações que os vereadores classificaram como graves falhas na prestação dos serviços.

Entre elas está o caso do cão Wanderley, atropelado e recolhido apenas três dias após o chamado registrado junto ao serviço. Segundo a comissão, o animal passou por cirurgia, mas posteriormente apresentou complicações que exigiram novo atendimento veterinário.

O relatório também menciona problemas de biossegurança, supostas falhas em procedimentos cirúrgicos, ausência de documentação clínica em determinadas fiscalizações, além de denúncias relacionadas ao alojamento e ao manejo dos animais atendidos pelo CRAR.

O que dizem a Clinicão e a Prefeitura

Em nota, a Clinicão informou que tomou conhecimento da conclusão do inquérito policial e reafirmou que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

A empresa sustenta que os procedimentos adotados seguiram protocolos técnicos aplicáveis aos casos atendidos, incluindo as diretrizes de Captura, Esterilização e Devolução (CED), utilizadas em programas de manejo populacional de animais.

A Clinicão também declarou confiar na atuação dos médicos-veterinários e demais profissionais envolvidos e informou que apresentará documentos e registros aos órgãos competentes, exercendo plenamente seu direito de defesa.

Já a Prefeitura de Ponta Grossa informou que acompanha o caso e permanece à disposição da Polícia Civil para eventuais esclarecimentos. O Município afirmou ainda que realiza fiscalizações permanentes sobre a execução contratual e que eventuais irregularidades identificadas podem resultar em notificações, multas ou até mesmo na rescisão do contrato, conforme a gravidade da situação.

Os trabalhos da CPI seguem em andamento na Câmara Municipal.

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