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Casos de suicídio em homens são amplamente maiores; especialistas analisam

Agosto Azul reforça a importância da saúde mental dos homens e aborda os desafios na busca por ajuda, prevenção ao suicídio e atendimento em Ponta Grossa.

Casos de suicídio em homens são amplamente maiores; especialistas analisam
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O mês de agosto é marcado pela campanha “Agosto Azul”, voltada à conscientização sobre a saúde do homem. A iniciativa, criada no estado do Paraná em 2009, tem expandido para o resto do país com o objetivo de incentivar a população masculina a quebrar preconceitos e adotar uma rotina e hábitos saudáveis. Entre as campanhas, três cenários são os principais mencionados: doenças cardiovasculares, prevenção ao câncer e a saúde mental.

Como a saúde dos homens é um fator importante mas pouco debatido. Entre as campanhas do mês da conscientização sobre a saúde do homem, a disposição mental é uma das mais mencionadas. Segundo o Ministério da Saúde (DataSUS), o Brasil registrou mais de 107 mil mortes por suicídio entre 2015 e 2022. Quase 80% das vítimas eram homens. Entre os homens, os números são altos em adultos jovens de 30 a 39 anos, mas o risco proporcional cresce progressivamente com a idade, atingindo taxas mais elevadas em idosos com mais de 70 anos.

Resistência em buscar ajuda

A psicóloga Amanda Magalhães destaca que o índice de afetados pela depressão é maior entre mulheres. Entretanto, os homens sofrem mais com a doença, pois costumam ser menos diagnosticados pela resistência na busca por ajuda. “Há uma dificuldade no incentivo à terapia entre os homens; muitos acham que a busca pela ajuda demonstra uma fraqueza, quando, na realidade, todos precisamos de um apoio psicológico”,aponta.

Segundo o DataSUS, homens apresentam índices expressivos de transtornos relacionados ao uso abusivo de álcool ou outras drogas, além do quadro crescente de jogos de azar. Esses vícios mascaram quadros emocionais que podem influenciar o humor depressivo, retardo motor, insónia ou sonolência, apetite diminuto, redução do interesse sexual e dores e sintomas físicos como mal-estar, cansaço, queixas digestivas, dor no peito, taquicardia e sudorese.

Cuidados paralelos

Brunno Partica, psiquiatra de Ponta Grossa, afirma que, apesar de se tratar de uma doença mental, a depressão é frequentemente influenciada pela má alimentação e pela falta de exercício físico, apesar de não se tratar do único fator para seu desenvolvimento. “A mente e o corpo são um só; quando um deles é deixado de lado, o sistema inteiro é afetado”, relata. Além disso, o médico ressalta que homens têm receio de irem ao psiquiatra por medo de serem julgados pelo uso de medicamentos.

Na cidade, o atendimento em saúde mental é estruturado pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do SUS, que conta com o Ambulatório de Saúde Mental (AMS), Centros de Atenção Psicossocial, como o CAPS II e o CAPS-Ad (Uvaranas), além de iniciativas universitárias de atendimento integrado voltadas às demandas crescentes de ansiedade, depressão e dependência.

Conheça o CVV

Em casos de pensamentos suicidas, depressivos ou solitários, ou se sentir necessidade de conversar, contate o Centro de Valorização da Vida (CVV), que promove apoio emocional e prevenção do suicídio, com atendimentos gratuitos a qualquer pessoa. O centro garante sigilo total e atende por telefone, e-mail e chat 24 horas por dia, nos sete dias da semana, pelo número 188.

O canal de apoio atende, em média, 7 mil pessoas por dia no Brasil, somando cerca de 2,7 a 3 milhões de conversas de apoio emocional por ano. O centro possui mais de 100 postos de atendimento presencial espalhados por diversos estados do Brasil (como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Distrito Federal, entre outros). No Paraná, as cidades com esse suporte são Curitiba, Londrina, Foz do Iguaçu, Cascavel, Maringá e Apucarana.

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