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Exclusivo: Candidaturas femininas à ALEP crescem apenas 8,8% em cinco eleições; especialista avalia

Segundo o TSE, candidaturas femininas à Alep cresceram 8,8% desde 2010. Em 2026, são 34,54% dos 608 concorrentes (210 mulheres). Partidos com 40% ou mais de candidaturas femininas: PCdoB, PSOL, PCO, PRD, PSTU, UP, PT e Democrata.

Exclusivo: Candidaturas femininas à ALEP crescem apenas 8,8% em cinco eleições; especialista avalia
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Conforme registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o número de candidaturas femininas que disputam uma vaga na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) cresceu 8,8% desde 2010. Nas Eleições Gerais de 2026, as mulheres representam 34,54% do total de 608 concorrentes ao cargo de Deputado(a) Estadual. Neste ano, de acordo com levantamento exclusivo do Portal Fornazari.com, somente oito partidos igualam ou superam a marca de 40% de candidaturas femininas no Paraná.

Cenário em 2026

Em 2026, segundo números do DivulgaCand, 210 mulheres paranaenses irão participar do pleito como candidatas à Alep. O Portal Fornazari.com verificou a presença feminina em cada um dos 25 partidos que disputam a corrida eleitoral. Destes, somente oito superam a marca de 40% ou mais de candidaturas femininas dentro do próprio partido. PCdoB (66,67%), PSOL (53,85%), PCO (50%), PRD (50%), PSTU (50%), UP (50%), PT (46,67%) e Democrata (40%) atingiram essa marca.

Dos oito citados, apenas Democrata, PSOL e PT possuem 10 candidatos ou mais totais, entre homens e mulheres, o que faz com que a representatividade geral seja menos expressiva. Os demais partidos apresentam os seguintes números em relação às candidaturas femininas: Avante (≈29,41%), Cidadania (33,33%), MDB (33,33%), Missão (33,33%), Mobiliza (33,33%), Novo (33,33%), PDT (33,33%), PL (32,73%), Pode (31,37%), PP (32,26%), PSD (31,91%), PSDB (33,33%), PV (33,33%), Rede (31,03%), Republicanos (32%), Solidariedade (37,5%) e União (32%).

De acordo com a advogada e pesquisadora sobre a representatividade feminina na política, Daiana Allessi, a desigualdade de gênero é fruto da estrutura social construída sob uma divisão desigual dos espaços público e privado no Brasil. “Mesmo com o crescimento das candidaturas femininas ao longo dos anos, esse crescimento não significa que tenhamos alcançado igualdade substantiva”, esclarece.

A disparidade no âmbito político, conforme Allessi, é resultado de múltiplos fatores. “Uma combinação entre patriarcado, divisão sexual do trabalho, desigualdade econômica, cultura política e estruturas partidárias historicamente construídas a partir de padrões masculinos de participação”, expõe.

O que mudou em 16 anos?

Em 2022, 297 mulheres, ou 32,93% do total de candidaturas, concorreram à Alep. Nas Eleições de 2018, as 239 candidatas representavam 31,16%. No ano de 2014, o número era de 267 mulheres que simbolizavam 31,52%. A corrida eleitoral de 2010 foi a última com índices inferiores a 30%. Foram 165 mulheres candidatas que correspondiam a 25,74%. "Estamos muito próximos de uma lógica de cumprimento de piso legal, e não necessariamente de construção de paridade", observa Allessi.

Para ela, os índices partidários das Eleições de 2026 à Alep geram reflexões necessárias: "Nos faz pensar que a igualdade ainda não foi incorporada como um valor político por todas as organizações partidárias".

Para além da fiscalização

Apesar da exigência de somente 30% de candidaturas femininas, os partidos encontram mecanismos para descumprir a legislação. Allessi compreende que questões como o recebimento de recursos, estrutura de campanha, tempo de propaganda, apoio das lideranças, espaço nas decisões partidárias e condições efetivas de competitividade devem ser averiguadas.

A pesquisadora relembra, ainda, que a cota de candidatura não é sinônimo de igualdade de poder político.

"Existe uma diferença enorme entre colocar uma mulher na lista de candidaturas e criar condições reais para que ela seja eleita", alega.

Apesar do cenário, a especialista vê com otimismo a possibilidade de mudança. “A história das mulheres na política mostra que conquistas que hoje parecem naturais foram resultado de muita pressão social, organização e disputa institucional. Não se trata apenas de aumentar números. Trata-se de democratizar o próprio exercício do poder”, avalia.

Para além de uma maior representatividade feminina, a pergunta que deve nortear a discussão, conforme a advogada, é: "Que política queremos construir quando as mulheres estiverem efetivamente ocupando os espaços de poder?".

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

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